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Museu Regional de Delmiro Gouveia

O Museu foi criado em 20 de fevereiro de 1989 e reúne objetos, fotografias e documentos que contam a história de Delmiro Gouveia, da Fábrica de Linhas da Pedra, da Estrada de Ferro Piranhas-Jatobá e da cidade de Tacaratu. No acervo, encontram-se peças da antiga Estação Ferroviária, a exemplo de uma locomotiva a vapor C. W. B. R., acionada a motor elétrico; da antiga Fábrica de Linha e objetos pessoais de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia. O acervo de documentos é conservado em estantes envidraçadas. O horário de funcionamento é de segunda a domingo, em horário comercial.


Fábrica da Pedra

A Fábrica da Pedra foi construída entre 1912 e 1913 por Delmiro Gouveia. Produz linhas para costura, renda e bordados e conta atualmente com modernos teares a jato de ar. Já passou por várias reformas, mas ainda conserva a originalidade em algumas partes da sua arquitetura, principalmente na fachada central. Há projeto de ampliação da fábrica para aquisição de outros teares com tecnologia disponível no mercado internacional, para confecção de tecidos de poliéster e algodão exclusivos para lençóis. A visita à fábrica é permitida, desde que programada com antecedência.


Usina Angiquinho

Construída no início do século XX, está encravada no meio de um paredão de granito, ao lado da Cachoeira de Paulo Afonso. Sua construção representou um dos marcos do pioneirismo de Delmiro Augusto da Cruz Gouveia. As duas unidades de Angiquinho, quando em funcionamento, geravam 1.500 Hp, suficientes para iniciar todo o processo que mudou o rumo histórico da região, hoje um dos mais importantes complexos hidrelétricos do mundo. A Usina possui ainda o maquinário importado da Europa no início do século e está inserida nos roteiros das agências de turismo de Delmiro Gouveia, Paulo Afonso, Piranhas, Canindé do São Francisco, entre outras. Esta foi restaurada recentemente e encontra-se em andamento seu processo de tombamento, fato esse que beneficiará bastante a atividade turística no local. De Angiquinho tem-se a visão da cidade de Paulo Afonso, da Ilha do Urubu e da Cachoeira de Paulo Afonso.


O Homem Delmiro Gouveia, um Herói do Sertão

Não era Midas esse cearense nascido em Ipu, Ceará, no dia 05 de junho de 1863, que conseguiu acumular capital a partir de um pequeno comércio de couros. Delmiro Gouveia enfrentou administrações reacionárias e corruptas e idealizou uma espécie de “milagre sertanejo” que, no âmbito de sua fábrica de linhas de coser, em Pedra, Alagoas, antecipou conquistas sociais que até hoje não foram conseguidas pela esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros.
Em um trabalho de fôlego publicado em um dos volumes de “Os Grandes Enigmas de Nossa História”, edição de 1981 da Otton Pierre Editores Ltda., o comentarista Nilson Lage relata uma das mais insólitas realizações ocorridas em nosso país. "Se fosse nos Estados Unidos", afirma Nilson Lage, "Delmiro Gouveia teria um busto em cada Federação das Indústrias, um retrato em cada Lyons Clube, um lugar de honra na cartilha de moral e civismo da escola primária, mais ou menos como acontece com Benjamin Franklin, Thomas Edison ou Henry Ford. Como estamos no Brasil, falar em Delmiro Gouveia é coisa de mau gosto nos meios empresariais, pois até para ser enredo de escola de samba (a Império da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 1980) foi preciso que acontecesse antes uma abertura política". Delmiro combateu a oligarquia e foi morto pelo imperialismo.
A luta de Delmiro Gouveia, sua história romanceada, está aí para denunciar absurdos no processo de desenvolvimento que se adotou no Brasil - e do qual se nutrem os empresários estrangeiros. Por exemplo: Delmiro Gouveia demonstrou que o atraso do Nordeste se deve menos à seca, que pouco prejudicou seus negócios no ano de 1915, época em que se registrou a maior seca do Nordeste, do que ao atraso das relações sociais na região, com suas derivações na incompetência administrativa, no compadrio e na brutal desigualdade na distribuição da riqueza e dos investimentos. A biografia desse homem é, portanto, uma heresia em relação às idéias oficialmente sustentadas. O regime que esse homem implantou em sua fábrica (da Pedra) é também o contrário daquele que a SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) incentivou.
A grande preocupação com os negócios não impediu que Delmiro Gouveia seguisse o caminho do pai em matéria de amores. Já estava separado de Iaiá quando, quarentão, apaixonou-se por uma menina, Carmélia Eulina Amaral Gusmão, filha de uma senhora chamada Ana Gusmão, amiga íntima de Segismundo Gonçalves, presidente do Estado, de partido político adversário do partido de Delmiro Gouveia. Segismundo, que, segundo a voz do povo, era pai da moça, entregou o caso à polícia com a ordem de liquidar com Delmiro. Processado e pronunciado em Juízo, teve que fugir para Alagoas. De lá, na localidade de Pedra, uma parada ferroviária que tinha cinco casas, mandou um "cabra", Vicente Moura, roubar Carmélia de seu tutor judicial. Tiveram três filhos. Em Pedra, Delmiro comprou por três contos de réis uma casa de tijolos, meia-água, e ali começou a comprar couros. Como faltava água (que vinha de longe, no trem semanal), ele construiu o açude do Desvio, no córrego Pariconha. Em 1907, fez a barragem no Riacho Mosquita para construir o açude de Pedra Velha.
Começava a ser deflagrada a revolução industrial no mais remoto sertão. Em 1909, Delmiro Gouveia trouxe ao Brasil a missão Moore, americana, e fez contatos com as firmas Bromberg, do Rio de Janeiro, e W.R. Brand & Company, de Londres, a quem fez encomenda de projetos de eletrificação. Por essa época, Carmélia o abandona, os amigos se preocupam. Mas o nosso herói sonha, ouvindo, à noite, o rumor distante da cachoeira do velho São Francisco. Com a vitória das oposições em Pernambuco, foi eleito presidente do Estado o General Emídio Dantas Barreto, ministro da Guerra do governo Hermes da Fonseca. Aglutinando as forças oposicionistas, Dantas Barreto promove uma luta enérgica contra as oligarquias reacionárias que, durante anos, vinham ocupando os principais espaços políticos e administrativos em Pernambuco.
Delmiro Gouveia encheu-se de entusiasmo com a vitória de Dantas Barreto, pois planejava o aproveitamento hidrelétrico da Cachoeira de Paulo Afonso, utilizando a energia para um grande projeto agropecuário e levando-a por linhas de transmissões a todo o Nordeste. Com os demais diretores da futura Companhia Agrofabril, o Rei do Couro, como era chamado, pediu audiência ao governador para expor-lhe os planos de eletrificação cujos projetos ele já havia encomendado à Missão Moore e às firmas Bromberg e W.R. Brand Company, do Rio de Janeiro e de Londres, respectivamente. Depois de muitas explicações técnicas, digressões sobre cavalos-vapor e quilo-watts (coisas inesperadas, na época, em um gabinete de governo nordestino), Delmiro Gouveia pediu simplesmente autorização para que a linha de força passasse pelo território pernambucano, rumo aos centros de consumo.
O General Dantas Barreto, que pouco entendia da matéria, mas pensava que entendia muito dos homens, respondeu como bem disse o comentarista Nílson Lage, com a sutileza de um elefante: - “ O negócio que o senhor propõe é tão vantajoso para o Estado de Pernambuco que deve envolver alguma velhacaria! ”E assim não se fez o negócio, nem saiu a grande hidrelétrica. Só 40 anos depois é que, finalmente, seria construída a hidrelétrica de Paulo Afonso. A resistência do governo de Pernambuco obrigou Delmiro Gouveia a uma drástica redução nos seus planos: decidiu instalar uma pequena hidrelétrica no Salto de Angiquinho, no lado alagoano do Rio São Francisco, para mover as máquinas de uma fábrica de fios.
De lá saíram as linhas de coser da afamada marca Estrela. Com a I Guerra Mundial, deixaram de chegar ao Brasil as linhas de coser inglesas. Começou então a utilização das linhas estrela, feitas do bom algodão Seridó, tão fortes que a propaganda mostrava dois gigantes musculosos puxando cada um, uma das pontas do fio sem conseguirem rompê-lo. Pedra progrediu lentamente, a princípio; de repente, explodiu. Em 1903, quando Delmiro chegou, tinha cinco casas; em 1912, o número se elevara a uma dúzia. Em 1915, ao visitá-la, Plínio Cavalcanti deparou com um quadro impressionante, que descreveu assim:
"Nunca mais se apagará de meus olhos de excursionista deslumbrado a risonha miragem daquela cidadezinha tão branca e limpa que, à primeira vista, julguei um grande algodoal de capulhos alvejantes. Tive naquela hora a ilusão prismática da Fada Morgana dos campônios húngaros e, só depois de despertado da sonolência que me dera a paisagem monótona do agreste nordestino, percebi ter chegado ao vergel que Delmiro Gouveia criara dentro da brenha sanfranciscana e que sonhara transformar em Canaã de paz e trabalho. “Comovido, admirei com entusiasmo aquela estranha flor de civilização”.
Arno Pearse observou com espanto as legiões de operários indo para as missas aos domingos "mais bem vestidos que os europeus da classe média". Oficiais, tecelões, mecânicos, torneiros, pedreiros, dezenas de operários e operárias, que chegavam diariamente a Pedra, recrutados por todo o Nordeste, no sertão e nas cidades, salvos da grande seca de 1915, que secou as lavouras não irrigadas de toda a região.
Na sua fábrica, Delmiro utilizava matérias-primas da economia local, empregava grande contingente de mão-de-obra e reinvestia ao máximo na própria região. Nada de fábricas automatizadas, com o mínimo de empregados, sustentadas à custa de incentivos fiscais com matérias-primas trazidas de longe e lucros rapidamente transferidos para os bancos do Rio de Janeiro e de São Paulo, quando não eram enviados aos bancos de Nova Iorque e Londres.
O modelo de progresso representado pela pequena hidrelétrica no rio São Francisco, que Delmiro Gouveia não teve tempo de ampliar, pela sua fábrica de linhas de coser e até mesmo pelo mercado Derby em Recife, uma antecipação dos Shopping Centers contemporâneos e que foi incendiado criminosamente, todos esses empreendimentos envolviam a preocupação constante de eliminar intermediários e atravessadores que tanto encarecem a circulação de produtos no Brasil, mas que tantas fortunas têm gerado em nosso país. Em região de poder aquisitivo baixo, ele conseguia boas margens de lucro, vendendo mais barato os produtos de consumo de massa.
O Nordeste com que Delmiro sonhava teria os dentes tratados, a barriga forrada e seria pobre, mas decente. O sertão nordestino ainda hoje é desdentado, faminto e miserável. Por isso é que se diz que quando o truste da Machine Cotton comprou dos herdeiros a Fábrica da Pedra e atirou suas máquinas no fundo do rio São Francisco estava prestando um serviço tanto a si mesmo preservando um monopólio de mercado, quanto aos interessados em conservar o espetáculo das dores nordestinas pontilhadas de "ince-lenças". São essas dores, tão folclóricas e de tão grande intensidade dramática, o principal argumento com que os poderosos do lugar estendem a mão à caridade do governo federal para enfiar no bolso a quota maior das esmolas.
Delmiro Gouveia foi assassinado em 10 de outubro de 1917. Antes, a Machine Cotton vinha aumentando a pressão, ora oferecendo-se para comprar a fábrica, ora registrando como suas, nos países da América Latina, marcas tradicionais das linhas nordestinas. O sucessor de Delmiro na firma, o sócio Lionelo Iona, suspendeu o projeto de ampliação da usina hidrelétrica e deu fim desconhecido aos dois mil teares encomendados para a fábrica de tecidos, sonho de Delmiro nos seus últimos meses de vida. A indústria ficou restrita às linhas de coser. Delmiro Gouveia providenciara em disposição testamentária para que seus herdeiros não pudessem vender as ações da fábrica antes de completarem trinta anos. Mas o jovem Noé Gouveia, filho mais velho de Delmiro, mostrando-se mais interessado em passear no seu automóvel novo pelas ruas de Recife do que assegurar o futuro da fábrica permitiu que, através de uma manobra judicial, a venda afinal fosse efetivada à Machine Cotton por um documento firmado na Escócia no dia de finados de 1929. Esse documento é notável. Os herdeiros receberam 27 mil libras, mas se comprometeram, entre outras coisas, "a não reentrarem no negócio de linha". Para disfarçar, outra cláusula estipulou que a Machine Cotton receberia o pagamento de cinco mil libras "pelos gastos que teria para transformar a fábrica de linhas em manufatura de tecidos." O episódio seguinte ocorreu em abril de 1930.
Os ingleses chegaram, desmantelaram as máquinas, jogaram tudo no rio São Francisco, quebraram à marreta tudo o que puderam e tiveram daí em diante sinal livre para dominar o mercado. Os sonhos de Delmiro Gouveia, os nordestinos que viviam da fábrica, os plantadores que a ela forneciam o algodão Seridó - quem ia se importar com eles? Meses depois, a Revolução de 1930 chegava ao poder, vinda do extremo Sul do país. Mas nem isso, e nada do que aconteceu depois, mudaria substancialmente as coisas no sertão das Alagoas.
No Nordeste se dizia que grande “homem” no sertão não haviam quatro, só três: Lampião, na valentia; Padre Cícero, na grandeza de coração; e Delmiro, no trabalho.
Na noite de 10 de outubro de 1917, como era seu costume, Delmiro Gouveia sentara-se na sua cadeira de vime, no alpendre do chalé, debaixo de uma lâmpada elétrica forte que iluminava sua figura vestida de branco. Abriu os jornais para ler as notícias. Eram 21 horas. Por entre as plantas do jardim se esgueiraram três "cabras" armados de rifle. Apontaram: um tiro pegou num braço, um se perdeu, o outro feriu Delmiro no coração. Toda a cidade de Pedra acordou. Cem armas de fogo foram passadas às mãos dos trabalhadores que partiram em todas as direções, chorando pelas estradas.
No velório desfilaram as operárias das seções de fiação, os mecânicos, os maquinistas, os carregadores, lojistas, caixeiros, crianças, pequenos agricultores, vaqueiros vestidos do couro que chegavam de longe. Era uma espécie de culpa coletiva: Se facilitava tanto, era porque confiava no seu povo. Ao pé do caixão, um velho trabalhador da seção das cardas repetia:- “Atiraram nele para matar a fábrica também “. Violeiros e repentistas repetiam, compungidos, “Quando o enterro de Delmiro pelas ruas ia passando, parece que a gente ouvia a Cachoeira chorando”.
Algumas semanas depois, foram presos, do lado oposto do São Francisco, os pistoleiros José Inácio Pio, João Roseo de Morais e Antônio Felix. A confissão arrancada debaixo de tortura não tem a menor garantia da verdade. Quem mandou matar? Surgiram várias hipóteses, mas o processo, falho, jamais convenceu a qualquer jurista que o tenha estudado. E não convenceu também ao povo, que sabe perguntar como no Direito Romano – “qui podest?” - a quem interessa? E a resposta é uma só: ao truste da Machine Cotton, encabeçado por J. P. Coats & Company, tendo como subsidiárias a Clark & Company, a Ross & Duncan e a Companhia Brasileira de linhas para coser, sediada em São Paulo.


O Rio São Francisco

O Rio São Francisco vai bater no meio do mar, mas antes não resiste a uma entradinha no riacho do Talhado, em Alagoas. Capricho da natureza, que forma o maior cânion navegável do Brasil, o quinto maior do mundo. Cenário esplêndido, magnífico, onde se permite exagerar nos adjetivos sem culpa. Uma prova de que nem só de praias e excursões em ônibus cheios pode viver o turismo no Nordeste, sobretudo se for ecológico e sustentável.
Por: MAURÍCIO GONÇALVES - REPÓRTER


Restaurante Ecológico Castanho: Lugar sem igual!

Um ambiente que nos mostra uma experiência ímpar onde o visitante poderá fazer registro fotográfico da concha ecológica, local onde ocorre fenômeno único no planeta, resquícios de Mata Atlântica travando uma luta milenar contra o bioma da Caatinga para continuar existindo.
Cenário belíssimo, onde o turista irá entrar em contato direto com a fauna e flora da região além de vislumbrar locais históricos e “misteriosos” que circundam o rio São Francisco. O Restaurante Ecológico Castanho tem o objetivo de unir a natureza no estágio selvagem com o que há de melhor da música mundial, culinária local, espaço para leitura, lazer e principalmente um banho nas águas cristalinas do velho Chico.


Bar Show da Natureza!!!

É Show... Show da Natureza. Um capricho da natureza. Um lugar Fantástico. Exótico e repleto de belas paisagens... Muita beleza numa Região marcada pelos fascinantes Cânions do Rio São Francisco, esculpidos pela ação milenar da natureza. As águas doces do Velho Chico é um convite a parte para um mergulho repleto de emoções...
O lugar oferece vários recursos para prática de ESPORTES RADICAIS como: Rapel, Tirolesa e Psicobloco. Dispomos ainda de TRILHAS ECOLÓGICAS pela Caatinga, assim como, passeio de lancha ou catamarã pelos Cânions, fazendo o roteiro do cenário das novelas da globo "Cordel Encantado" e "Velho Chico" .
O nosso Restaurante oferece comidas típicas como: Galinha de capoeira, bode assado ou guisado e tilapia frita, assim como, bebidas em geral.
Seu diferencial é o BAR MOLHADO (mesas com piso submerso e sombrinhas de palha de oricuri), o que faz do lugar um dos primeiros empreendimentos com esta temática.


O ARTESANATO

Ao visitar a cidade de Delmiro Gouveia, não deixe de adquirir uma lembrança da nossa região. Aprecie o artesanato confeccionado através de diversas técnicas e materiais que traduzem a riqueza cultural do povo delmirense, tais como artesanato em madeiras, palhas, cipó, crochê, bordado, material reciclado, pinturas em telas, entre outros. Venha e conheça a verdadeira arte delmirense!